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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Rapunzel

Vida de uma princesa
Guardada no castelo de seus sonhos.
Presa ao passado
Retida no presente
Provocando o futuro.

Sonolenta e bela carne
Sem sentir a luz do sol
Comenta seu passado
Ignora seu presente
Almeja seu futuro.

Na visita de sua única
Talvez não única
Esperança,
Sua mãe postiça
Sua fera enrustida,
Ela esquece do dia
Esquece da noite
E da solidão,
Só se vê na sua inspiração.

Mas quando o príncipe astuto
Resolve escalar sonhos revoltos
E adentrar abertura de incertezas,
Enfim a bela princesa sabe
Que o dia tão sonhado
O momento aguardado
Era não-mais do que aquele garoto esperto
E cheio de vitalidade.
Seu resgate, seu resguardo,
Sua vitória de tantas lutas sonhadoras.

Mostra-lhe o caminho
Da saída trancada por feitiço
E os dois aventureiros
Aprendem com o tempo a burlar-la
E enfim vêem-se no mundo real:
Tão fictício quanto o de sonhos
Mas com o final feliz
Mais belo que se podia imaginar.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

História dos dias


Tenho dois minutos para decifrar o suspiro da noite,
Tenho uma vida para desfrutá-la
E um sol todinho meu depois de tudo isso.

Procuro o melhor penhasco e o maior arco-íris
Mas deste desisto, esconde-se no escuro.
Saio eu e penhasco à procura da resposta.
Subimos, descemos,
Paramos e filosofamos.
Nada.

Deitados com a terra em nossas cabeças
Uma voz grave soa suavemente em nossos ouvidos
Dizendo que, por não encontrar o dia
Noite suspirava desesperada.
Por isso Lua era iluminada pelo Sol,
Mas que, em período de Nova
-Encontrávamo-nos ali,
Lua ficava sozinha novamente
E clamava pelo sol
Que descansava sete dias
Até ser amparado novamente
Pelo seu grande amor.


Madrugada desceu,
Segundos passaram,
Dia surgiu.
Meu tempo acabou,
Penhasco à Terra voltou
E eu, parada admirando o redentor da Lua
Abasteço-me de energia
Para mais um ciclo suplantar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Onde vivi

Hoje vi tantas coisas
Que nem sei se vivo mais.
Aquarelas de insetos putrefatos,
Incensos de alcatraz.

Colori minha rua com tudo isto,
Pilhas e pilhas de lixo joguei ali.
Um mundinho pueril em desalinho,
Sonhos de um dia:
Escondidos. Ali; bem ali.

Um dia alguém juntará tudo isto,
Afinal, quem não quer reviver o passado?
Enquanto o café faz efeito em meus nervos,
Gente de todo o canto -
Churrasco vivo fugindo da morte -
Revirando o lixo, limpando que bagunçei,
Procura com veemência
Aquele sonho. Dali, dali.

Nada verão, só eu verei.
Aqueles insetos ainda para mim são aquarela.
Mundo bonito em que me encontro,
Mas o caminho não revelarei a ninguém.
Apenas a você, não leve a mal.
Feche os olhos
E abra a mente.
Junte palavras,
Não recolha o lixo.
Ali, somente ALI, estará aquela cidade,
A cidade bela em que vivi.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Nuvem de alma.

Hoje senti o vento
Batendo suavemente em mim.
Em uma voraz nesga de mundo
Um tanto ufano - confesso-
Amorfa pus-me de pronto.

Fui nuvem, fui plasma
E tantas pessoas
Que quase uno-me
A essa metamorfose mental
E estabeleço-me ali.

Um forte baque
Em algum gongo
No outro lado da Terra
Dispara meu coração,
Traz de volta meu sangue.
-Era um trovão, o que me diz?
Presságio para fechar
Uma outra vez os olhos
E abri-los - ou não
Em um corpo sem forma
De vez.