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domingo, 9 de outubro de 2011

Utopias...


Não quero amanhecer de uma vez só.
Quero olhar a praia,
Os lírios, jasmins.
Quero seguir o ritmo,
Clarear em tom marfim.

Não apenas conhecer continentes,
Ir mais fundo, ganhar cor.
Velejar os mil mares,
Fulgurar um belo amor.

Quimeras, medusas: abissais.
Logo após o rio,
Indelével, absinto,
Jaz um herói fugaz.
Embebido de tanto amor
Por um belo lobo
Enrustido em cordeiro,
Que abstem-se em seu leito
Robusto em furor.

Pego eu, meu cajado,
Encantado por magia,
Ergo-o ao colorido céu
E cravo-o neste mundo encantado.

Com angústia acordo, atônita,
Prevendo um triste fim.
Viro-me, cabisbaixa,
E o que vejo?
Tudo em marfim.

Enfim este conto cessou,
Cerrou fundo em mim.
Ao invés de exterminá-lo,
Entrei nele, fundi-me enfim.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma floresta em mim


Me integro à natureza.
Sons, cheiros, estímulos:
Música, perfume, dança.

Sou floresta
Dentro de mim.
Uma ininterrúpta jogada
Para entrar em sintonia.

Vejo animais, seres,
De muitos tipos;
Anseio por pegá-los
Por tê-los para mim.
Quer saber?
Já são todos meus.

Neste mundo,
Floresta de Groelomba,
Me refugio lá.
Entre intermináveis conversas
Com uma égua prenha,
Pauso para apreciar
Nas últimas neflas
De luz do dia,
Pequenos gnomos.
Lindos, recolhendo as pétalas das flores
Para devolvê-las ao raiar
Do novo dia.

Esse lugar me chama,
Me protege, acalenta.
Já está noite
Mas não há perigo,
Estou dentro de mim.

Não sinto frio
Nesse trópico,
Faço companhia aos morcegos.

Meus amores, chamá-los-ei
Algum dia
Para fazerem-me companhia.
Quiçá já estão aqui comigo,
Encantadores,
Trazem-me alegria.

Sóis e luas, invernos e verões.
Enfim sou prisioneira
De onde não quero
Nem preciso sair.
Às vezes
Esses meus dois amores
Vêm me visitar;
Acendemos fogueira,
Ficamos a cantar.

Ah, quantas histórias renderiam
Essa mágica floresta de mim.
Mas preciso ir já,
Os gafanhotos há muito
Estão a essas palavras observando...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vou-me embora pra Groelomba

Vou-me embora pra Groelomba

Lá sou cunhada do prefeito

Lá tenho a vida que eu quero

Do jeito que escolherei


Vou-me embora pra Groelomba

Vou-me embora pra Groelomba

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Quixote o Louco de Espanha

Marechal e veríssimo demente

Vem a ser contraparente

Do bisneto que nunca tive


E como não farei ginástica

Andarei de monociclo

Montarei em um flamingo

Subirei no Everest

Tomarei banhos de chocolate!

E quando estiver cansada

Deito em minha núvem de estimação

Mando chamar Uni, o unicórnio

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menina

Raros vinham me contar

Vou-me embora pra Groelomba


Em Groelomba tem tudo

É outra civilização

Tem amigos de verdade

Para compartilhar a diversão

Tem esquisitice automática

Tem alucinações à vontade

Tem os melhores livros

Que a gente imaginar


E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou cunhada do prefeito —

Terei a vida que eu quero

Do jeito que escolherei

Vou-me embora pra Groelomba.


Texto original em: http://www.releituras.com/mbandeira_pasargada.asp