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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Troca-troca

Teu encanto ilumina
Escada e elevador.
Sigo em frente, sem rima,
E ensino sem ser professor
Que a minha poesia
Não é apenas d'um escritor.

Mas sim de tantos: Que agonia!
Dentro de mim tropeço
Na cigana, no doutor,
No anestesista, no cantor,
De saia justa, cabelo penteado,
Fazendo promessas, trocando de armário.

E assim, tantos de mim
E um só latenta coração.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mundo cinza (Colores)



A novela da vida
Insere objetos
Brancos, pretos, pálidos
E atira ao vento.

Cadê as cores
Desse universo paralelo
Para brindar-nos o mundo
Que atroz se destrói?

Vi crescer cada planta
Árvore e destino
Mas onde estão suas cores agora?
Procuro o escondido.

Se o achar, não se irrite,
Mas as jogarei por todo lugar.
Querem nos comandar c'o sistema
E isso eu não vou deixar.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O brilho da nova lua

Lua nova alumia
O castelo em fulgor.
Incendeia, arrepia
Minha amada, minha flor.

Vai em parte a luz que não brilha

A este reino precursor.
Mi, ré, sol: a sinfonia
Da luz que brilha com ardor.

Surge dia-a-dia

No reino de calor
Azul, preta e cinza,
Cala todo e qualquer temor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Floresta (Fuga)

Há um condomínio de árvores
Construído bem diante meus olhos.
Distraio o olhar dos arranha-céus verde-pinheiro
E me deparo com uma grande corrida
De bem-te-vis-caça
-Cada qual mais ligeiro.
Já sei o caminho deles:
Saem apavorados da floresta de pedras
Atrás da densa cidade plantada.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Comédia da desilusão

Desilusão de uma esperança
Que nunca existiu.
Ela via em uma porta
Falsa paisagem da verdade,
Só mais uma pintura realista.


Ela não sentia mais que um calafrio
E a vontade de perspassar aquela fronteira.
O medo a coagiu
A deletou,
A contraiu.
Um dia, ela foi com tudo:
Ah, que desiludida ficou!
Quando de cabeça se jogou
E ao solo quente se misturou
Ao ser rebatida por aquela tela dura
De algo que nunca existiu.


Ah, desiludida aquela garota!
De desespero, quebrou em cacos o que a feriu
E descobriu uma estrada feia.
Não tinha mais o que fazer,
Abandonara tudo o que era seu
E agora tinha que seguir.


Naquele tortuoso caminho
De nebuloso céu,
E árvores desfolhadas
Seguiu um bicho estranho
Que não vira jamais: morcego da tarde
Recolhendo-se ao escuro.
Chegando à longínqua caverna
Eis que cai e adormece.


Pobre desiludida, quer matar-se,
Acabar com seu sofrimento.
Entretanto em seu despertar
O céu abre
O mar visibiliza-se
E o raiar toma seu rosto novamente de rubor.
Alegria nasce com raizes profundas
No coração daquela que descreia
No que a era ofertado.


Desgastada, carcomida, resolve voltar a viver.
Com os pássaros e um novo amor,
Reaprende como à tristeza distorcer.



Tema por: Leonardo Cruz (http://acasoqualquer.blogspot.com.br/)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Ciclo de Pandora

Abro minha caixa de Pandora vez em quando.
De lá saem coisas boas e estranhas.
Minhas espinhas estão lá –Oh se estão – nesse instante.
De lá sai o infinito, disfarçado de horizonte.

Ali, as rosas conotam-se demais:
Uma chuva é avião
E uma briga, furacão.
Sempre há mais tempo para a curiosidade,
Nessa tamanha pequena caixa.

Às vezes Pandora abre-se por conta;
Groelomba que vem à tona,
Engole meu eu e deixa
Nessa terra devorada
Um ser estranho, corrupto,
Que não substitui o corpo que jaz livre
E um dia terá de voltar
Para reivindicar o que é seu.

Pandora enfim fecha-se e adormece.
E como um sonho, a qualquer momento,
Abrir-se-á outra vez.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Carrossel dos sonhos


Estranho o caminho em que me encontro...
Sempre vi luz, agora não.
Só os discos de cor que alumiam
A treva e a escuridão.

Findo la carretera:
Circo encontro enfim.
Seus encantos e harmonia
Bastam para cessar meu antigo pranto
E sossegar a criança que há em mim.

Passei por trilhas tortuosas
Para saber do meu destino,
E agora encontro-me aqui:
Perdido, tranquilo.

Embarcarei no carrossel dos sonhos
E aguardarei meu fim.
Definhando em um mundo bom,
Pelo menos a alegria
Abastecerá o encanto
Que preciso para não deixar de existir.




Título por Rodrigo Vasques

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Chuva forte


Cai chuva:
Lenta, fria, resplandescente.
Bate forte:
Pulsa em mim, esfria o sangue ardente.

Molha o que tanto tempo quedou seco,
Molha e amolece esse duro coração.
Só assim essa dor,
Guardada há anos-mil aqui bem dentro,
Dissolverá em rios ardentes.

Essa tremenda dor
Abrirá caminhos por baixo da terra,
Alimentará seu longíquo núcleo
E calará que mais tenho em mim,
Que mais roubei de ti.

Perdão líquido que jorras em mim nesta hora,
Diáfano sentido recobrindo tantas feridas,
Abrí meu coração!
E fazei este ser frio de sangue ardente
Finalmente pessoa virar
E em brados frágeis
Nunca mais a ti machucar.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Fases do carbono

Grafite: Transformá-te-ei em diamante
Para eternizar meus rabiscos,
Abrilhantar meus sonhos...

Valorizo a pedra bruta -minha joia-,
Adorno-me de grafites
E desenho com cristal raro.

Fecho os olhos;
Vejo o brilho, glamour.
Dos colares cintilantes?
Não. Da singela lapiseira.

domingo, 31 de julho de 2011

Andando entre os sonhos

Andando entre um sonho e outro
Tropeço em algumas pedras.
Uma delas, você,
Me fez parar.
Desconfiei de antemão
Pausei - olhei para os lados - continuei.
Não sei denominar
O que me deixou aqui:
Parada, atordoada.

Queria sentir amor,
Queria uma mão para segurar,
Queria ser um romântico beija-flor,
Queria um bem-me-quer para amar.

Assim os delírios seguem,
Me perdendo entre as rochas.
Montanhas, às vezes, surgem
Mas ignoro a loucura de minha nostalgia.

Fiz uma canção.
Você, o nome dela.
Sonho mais longo que tive,
Falei, cantei você a trezentos mil decibéis.
Sonhei mais alto que pude,
Fiz a loucura que nunca pensei.

Achei que não era assim,
Desviei de cada montanha outrora.
Fiz que não sabia compôr,
Surpreendi com o poder dessas notas.

Quando a mente fala mais alto
E os sonhos não dão a razão,
É hora de apelar para o peito;
Nunca erra esse tal coração.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Uma noite fria




A névoa baixa,
Luzes bruxuleantes.
Frio, muito frio.
A ponta do nariz congelada,
Uma leve música ressoa ao fundo,
A noite tapa todos
E o que resta de belo cai sobre nós.

Silêncio.
Cheiro da verdade,
Fecho os olhos e,
Por um segundo,
Sinto viver como nunca.

As sombras dos passeantes,
Dos parados
E dos estáticos
Austeram qualquer sensação negativa,
Qualquer frio.

Minhas cenas de terror,
Minhas cenas de suspense,
Meus sonhos, tortuosos,
Envoltos, apenas
Em uma noite fria
-Muito fria-
Em um lugar mágico
Em que me encontro, aqui.
Como é bom viver!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Certos amores sem sintonia


Certos amores não marcam hora
Simplesmente chegam
Chegam muitas vezes em terrenos não preparados
Terrenos que estejam ainda em construção
Terrenos fora de si
Terrenos nunca antes preparados talvez
Talvez em terrenos sem sintonia com o amado em questão
E esse é o problema do coração
Amores nem sempre andam juntos
Nem sempre acontecem juntos
Enquanto uns vivem suas vidas normalmente
Outros sofrem com o amor loucamente
Amar no tempo errado é ruim
Ser amado no tempo errado é ruim
Mas o pior é nunca achar tempo para amar assim.


Leonardo Cruz

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sonhador poeta

Realidade;
Presença de espírito.
Almas nobres são as que se capacitam a sonhar;
Amar.
Os sonhos são as promessas da realidade.
Promessas essas que na mente de um sonhador,
Não têm princípio ou fim.
Não têm purezas.
Não têm escrúpulos.
Não há quaisquer julgamentos...
São apenas sua realidade quotidiana.
A tal que é vivida em outra dimensão.
Sonhar... Ah, amar!
Faz parte, faz parte de viver.
O amor é ato tão nobre,
Que será que somos dignos de prová-lo?!
Provar de um sonho em que não há indícios de fim.
Um sonho que machuca,
Que fere a realidade
E nos aproxima ainda mais do sonho.
Ah, dormir!
Dormir é para sãos;
Porque os verdadeiros insanos não dormem,
Sonham,
Amam,
Vivem.


(junho de 2010)

domingo, 12 de junho de 2011

Uma prosa a Porto Alegre

Afinal, ela merece.



Bela Porto Alegre
De ornamentos mil
Desaparecidos sobre os olhos,
Delirantes olhos,
Apressados olhos.

Andamos, corremos
Parando jamais;
Gótico romântico, barroco,
Se esfumaçam junto às nuvens.

Pôr-do-sol, o grandioso,
Que nem em seu esplendor
Deixa as belezas
Escaparem de seus raios
E flutuarem ao nosso apreço

quarta-feira, 8 de junho de 2011



"Entre os que nostalgiam o passado e os que idealizam o futuro fico com os que poetizam o presente."




Laís Chaffe

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não é questão de perder

Os desavisados
perdem-se no caminho dos sonhos,
ficam à esma,
seguem o coração.

Não se diz que o mundo é tolo,
tolo não.
O mundo é feito dos desavisados,
que discordam da razão.

Ao deixar-se levar pela maré,
a invencível maré
da nossa alma
nossos sonhos nos guiam a Atlantis.

E os que se acham muito inteligentes
a ponto de não ficar à deriva,
perdem-se também.
Em um mundo onde quem vive, não se diz viver perdido
pois trilhou o seu caminho,
guiou própria direção.

Mas, quando se trata de sentimentos,
feliz é, por suposto,
quem se perde.
Pois só se perdendo
que se encontra
a chave que abrirá
um baúzinho;
nosso tão-protegido
coração.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os Malabares



A cada ponto de vista

Um historiador.

Paro-foco-flash!

Uma nova visão já esclarecida.



Par de risadas,

Esquadrias e vãos.

Não estou parada

Na imensidão.



Um malabarista

De malabar só;

No meio da avenida

Se mistura ao pó.



O gato gigante,

Ao olhar, astuciosamente,

Em meio da avenida

Não vê carros, só vê gente.



Quero olhar como ele:

Focar, focar, dar zoom, ver pela lente.

Isto? Mero aparato.

Meu olhar? Reluzente.



A vida, sinfonia de gestos,

Como o malabar.

Devemos prestigiar o vai-vem

Que volta sem ao menos partir.



Paremos para apreciar

A beleza, arte da vida.

Os pequenos gestos,

Um andar,

São os instrumentos

Menos populares

Escolhidos pelo regente,

E que podem também

Serem responsáveis

Pelo ritmo tamborilante

Que alegra os corações.



Incessável, inaudível.

A orquestra da vida

Toca silenciosamente

Para quem estiver disposto a parar

E apreciar

Os incessantes malabares

No meio da avenida.



-Não deixe-os parar.