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sábado, 24 de dezembro de 2011

Uma estória sobre a vida

Enleo-me no chão
Desta coisa putrefata a qual não criei
E admito: não teria coragem de assiná-la.
Perfeita e sublime -ó inocente vida!
Vil e macabra -imperfeição da realidade!

Acabo por supor
No auge de meu repuno
Que se houvesse escolhas
Difícil seria o amor, fácil seria o impuro.

Amarga, cruel, indistinta e repugna:
Face ruim da vida, mas precisa.
Por que todos apenas contam o afável?
Viver não é só isso;
Fere, dói... Algum propósito?
Há de gritar esse propósito?!

Para quê tanto sofrer?
Tanta amargura, decepção...
Incompreensível mundo,
Por que a fizestes assim?

Olhando para as estrelas
Os sonhos rolam soltos:
Novas realidades, vidas distintas...
Caminho do bem.

Carinhosa e imcompassível,
A necessidade involuntária de acordar
Irrompe a nossa real vida.

Pois vida que é vivida
Cada um escolhe a sua
Para ser como se quer...

Cruéis e imotos,
Dilaceramos a inefável vida.
Talvez seja por isso que ela castiga-nos...
Se é por isso, estão explicadas
A inocência dos bebês,
A felicidade das crianças,
A ingenuidade!

Mas quem cria esse terror?
Precisamos dormir, sonhar para viver...
A vida impõe-nos isso!
O que explica
Quiçá a rabugice dos mais velhos,
ou a perda de esperança...

Mas a vida é assim
Por culpa de nossos sonhos,
Ou nossos sonhos são assim
Por culpa da vida?
Que dilema!

O certo...
Ou o mais certo?
Quanto mais sonhamos,
Mais a vida se rompe.

Abrirei os olhos, colarei os cílios,
Não mais dormirei.
Esta vida está brincando conosco,
Impondo-nos um sono...
A sombria face da bruxa
Disfarçada de vovozinha.

Querendo abrir nossas mentos,
Descobrir o que nos incomoda...Fria e cauculista,
Faz isso enquanto dormimos,
Relaxamos, temos falsas esperanças,
Sobre o amanhã.
Falsas nem tanto,
Às vezes, por bondade
Ou malvadeza, travessura,
A vida concede-nos nossos sonhos
E resgatamos bravamente o que quisemos.

Quem dorme menos, vive menos.
Os dias se dão pelas noites de sono.
Porém, quem vive menos, morre mais feliz.
Pois a vida é uma regresso-progressão,
Que distrói e constrói e ilude o amanhã.

Poregarei meus olhos, tornarei-me vigilante.
Não mais dormirei!
Assim interromperá meu ritmo cardíaco
E morrerei feliz;
Mais que se tivesse
Vivido mais um dia.

P.S.: AMO viver! <3



poema de um momento nostálgico da minha vida, haha, datado de meados de 2010...
hoje em dia escrevo o que me faz bem, nada de nostalgias *0*

domingo, 30 de outubro de 2011

Que horas são?

Dos rabiscos
Só saem trevas;

Dos olhos,

Decepção.



Cá, em um sítio mal-alumiado,

Sob o efeito estereoscópico

Das horas

Que já nem sei quais são,

Ouço um vento

Uivando algo.

Já é tarde,

Não falo a língua dos sons.



Monocromático cai em mim;

Tiras de vermelho apontam algo.

Vermelho-sangue: fecho os olhos

Para fugir.



Deito sob a sombra do tempo,

Numa nesga de luz zenital.

Paro, penso, olho,

O vermelho-sangue que jaz estagnado.



Da meia-noite, penso eu,

Só há gemidos

De um pobre potro

Em alguma charrete fantasma.

Vermelho-vivo, vermelho-sangue...

Não me julgue,

Os poetas sentem diferente.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Dança dos mortos




O ballet das folhas
Não difere cheiro, cor.
Dançam solas
A música dos mortos.

Ao despertarem comoção
Nos curiosos olhos
Da inocente criança,
Aquietam-se
E vão embora
No uníssono dos ventos,
Na discussão
De todos os reis.

Eles ainda observam
Enquanto as folhas esvaem-se
E o angelical rosto, cálido,
Ouve os últimos gemidos
Dos insandecidos mortos
Que voltam à vida
Na minha cabeça.