domingo, 15 de janeiro de 2012

Errônea



Vejo a escuridão
No retumbado de palavras silenciosas.
Penso profundezas
E absorvo o que resta de teu ser.
Sei o que me fazes sentir,
E assim mesmo procuro a profusão da tua alma em mim.
Já não sei mais se devo falar,
Talvez não, as feridas ainda são recentes.
Perdoe-me por ainda amá-lo
E mesmo assim não corresponder às expectativas.
Perdoe-me por fazer-me presente
E estender essa estaca a teu peito
Mais uma vez,
Só mais uma vez.
Não sei o que fazer,
O silêncio me chama.

Por você


Um dia falei a mim mesma,
quando cri
em palavras de um outrém
bramadas a anos-luz
de minha realidade,
que não talvez fosse amar.

Tempo passou,
às esmas fiquei
de um corpo que quedou
e a alma que levei.

Hoje encontro-me aqui,
na iminência de cair
em um abismo que criei.

Nunca imaginei
que algo principiado tão ínfimo
poderia me aprisionar,
reconfortar,
desproteger.

Pensar que a tensão me assumiria
e estaria a apartar
esse coração
que louco está a bater
não estava nos meus belos planos.

Apenas tente não sufocar
essa vida
que vive também para você.

O rio finalmente
converteu-se em mar.
Estou a entregar
o amuleto meu-ser.

Cuide onde vai guardar,
tente proteger
e faça por merecer
a confiança que dou a você.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Insandecida



Ainda que eu tente apagar,
Sua lembrança me rejuvenescerá.
Ainda que eu procure ignorar,
Minha mente clama em lhe falar.

Como viver sem você
Se vivi tanto tempo
Co'a minha mente desbravando a sua,
Captando olhares, desmontando enigmas..?

Como falar de você
Se o que sai de mim já é seu..?

Como não deixar de entristecer
Quando vi que o que foi
Talvez não seja mais meu...

...?

Avise-me o modo de voltar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sepultura


Sepulto o medo vão de sofrer
Em terras firmes, que prenderão meu pesar;
Alinhando ao anseio de viver,
Momentos tristes hão de passar.
À principal, sepulto a imensidão de não amar você,
E dilacero as horas que aguardo chegar:
Calada, armada,
Fechando os olhos, ao aguardar a badalada.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Uma estória sobre a vida

Enleo-me no chão
Desta coisa putrefata a qual não criei
E admito: não teria coragem de assiná-la.
Perfeita e sublime -ó inocente vida!
Vil e macabra -imperfeição da realidade!

Acabo por supor
No auge de meu repuno
Que se houvesse escolhas
Difícil seria o amor, fácil seria o impuro.

Amarga, cruel, indistinta e repugna:
Face ruim da vida, mas precisa.
Por que todos apenas contam o afável?
Viver não é só isso;
Fere, dói... Algum propósito?
Há de gritar esse propósito?!

Para quê tanto sofrer?
Tanta amargura, decepção...
Incompreensível mundo,
Por que a fizestes assim?

Olhando para as estrelas
Os sonhos rolam soltos:
Novas realidades, vidas distintas...
Caminho do bem.

Carinhosa e imcompassível,
A necessidade involuntária de acordar
Irrompe a nossa real vida.

Pois vida que é vivida
Cada um escolhe a sua
Para ser como se quer...

Cruéis e imotos,
Dilaceramos a inefável vida.
Talvez seja por isso que ela castiga-nos...
Se é por isso, estão explicadas
A inocência dos bebês,
A felicidade das crianças,
A ingenuidade!

Mas quem cria esse terror?
Precisamos dormir, sonhar para viver...
A vida impõe-nos isso!
O que explica
Quiçá a rabugice dos mais velhos,
ou a perda de esperança...

Mas a vida é assim
Por culpa de nossos sonhos,
Ou nossos sonhos são assim
Por culpa da vida?
Que dilema!

O certo...
Ou o mais certo?
Quanto mais sonhamos,
Mais a vida se rompe.

Abrirei os olhos, colarei os cílios,
Não mais dormirei.
Esta vida está brincando conosco,
Impondo-nos um sono...
A sombria face da bruxa
Disfarçada de vovozinha.

Querendo abrir nossas mentos,
Descobrir o que nos incomoda...Fria e cauculista,
Faz isso enquanto dormimos,
Relaxamos, temos falsas esperanças,
Sobre o amanhã.
Falsas nem tanto,
Às vezes, por bondade
Ou malvadeza, travessura,
A vida concede-nos nossos sonhos
E resgatamos bravamente o que quisemos.

Quem dorme menos, vive menos.
Os dias se dão pelas noites de sono.
Porém, quem vive menos, morre mais feliz.
Pois a vida é uma regresso-progressão,
Que distrói e constrói e ilude o amanhã.

Poregarei meus olhos, tornarei-me vigilante.
Não mais dormirei!
Assim interromperá meu ritmo cardíaco
E morrerei feliz;
Mais que se tivesse
Vivido mais um dia.

P.S.: AMO viver! <3



poema de um momento nostálgico da minha vida, haha, datado de meados de 2010...
hoje em dia escrevo o que me faz bem, nada de nostalgias *0*

Chove em meu coração



Chove em meu coração;

Chuva sem nuvens

Nuba si chuvis

Chuna me nudis

Transformo em canção.



Chove em meu coração.

Gotas tardias,

Dia de sol,

Tarde de verão.



Andando distraída

Atropelo grandes feras

Cantando bem baixinho

A nossa canção.

Tarde de verão.



Vem chuva,

Há sol,

Há a tarde,

Canção.

Dançando n'areia

Chove púrpuras

Em meu coração.

Fases do carbono

Grafite: Transformá-te-ei em diamante
Para eternizar meus rabiscos,
Abrilhantar meus sonhos...

Valorizo a pedra bruta -minha joia-,
Adorno-me de grafites
E desenho com cristal raro.

Fecho os olhos;
Vejo o brilho, glamour.
Dos colares cintilantes?
Não. Da singela lapiseira.