segunda-feira, 15 de julho de 2013

Violão

Vou desenhar um violão
Na sua testa
E poderei para sempre
Tocar-te e tocar-te.
As cordas, seus belos cabelos.
O som? Batidas do meu coração.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Murado

Os cochichos piam
Parede adentro.
Burburinho
De um segredo dito em silêncio.

As paredes tremem
Com o salto tilitando no corredor
E eu aqui.

Me disseram "fala com as paredes",
"Repara o silêncio"...
Mas eles mal sabem
Quanto conhecimento
Uma divisória
Pode proporcionar.

Calem-se.

Gota

A gota escorrendo na pia
É a mesma que pousou em meu nariz.
Analogo a alegria do nascimento
Daquela água tratada
À felicidade que vida sua vida minha
E vinda, é muito bem-vinda!
E vinha e veio e ficará.

O meu peito cedeu-se
Todo em berço
Para todo e vindo
Te amar.

Gota

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Rimas de um acorro, rimas de um amor.


Eu sou capaz de enxergar na escuridão.
Minha luz não proveio dos olhos,
Ilumino alas com o coração.

Eu sou capaz de enxergar na escuridão.
Seu corpo, cada canto,
Suas curvas em minhas mãos.

Ele se ocultou ao amor: pobre rapaz.
Sou o dever e a obrigação de fazê-lo querer mais.
Sou o guia e a proteção,
O passado da perdição
E o futuro que o levará à salvação
Deste pobre coração:
Fechado, em corrosão.
Dou-lho sua tinta,
Seu amaciante
E seu caminho
-Pobre coração.
Abri-lo-ei ao mundo
Enquanto ainda há tempo.
Abri suas grades: Voe livre!
Se não lembrar como fazê-lo,
Regresse,
A voar ensinarei-lhe novamente
E seguirei minha canção.

Em seu corpo voo mais,
Já deixei tal coração em paz.
Abri minhas mãos a ti
E recebo inconsciente de paixão
Sua luz que se combina
Com a luz do meu coração.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Ode à lua literária


Sinceras palavras que saem de mim,
Da lua que sangra letras esta noite.
Olhei para cima e almejei tê-las,
Virei para o lado, escada subi.
Esgaçando minha pobre coluna
Ao esticá-la -em busca-,
Lindas palavras colhi,
Ordenei-as em ode à minha cura.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Troca-troca

Teu encanto ilumina
Escada e elevador.
Sigo em frente, sem rima,
E ensino sem ser professor
Que a minha poesia
Não é apenas d'um escritor.

Mas sim de tantos: Que agonia!
Dentro de mim tropeço
Na cigana, no doutor,
No anestesista, no cantor,
De saia justa, cabelo penteado,
Fazendo promessas, trocando de armário.

E assim, tantos de mim
E um só latenta coração.