sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O brilho da nova lua

Lua nova alumia
O castelo em fulgor.
Incendeia, arrepia
Minha amada, minha flor.

Vai em parte a luz que não brilha

A este reino precursor.
Mi, ré, sol: a sinfonia
Da luz que brilha com ardor.

Surge dia-a-dia

No reino de calor
Azul, preta e cinza,
Cala todo e qualquer temor.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Conselho de escritor



Não é como um pingo d'água,
Tão leve e esgueiro.
Não passa correndo,
Mas não demora a ficar.

Essa é a vida,

Que pode ser de tantos jeitos.
Aprenda com ela
E com você ela aprenderá.

Tudo na vida tem o seu fim,

Início e meio,
Menos o amor:
Ele vem para ficar.

Não depende da vida,

Não sai do lugar.
Mas depende da vida
E cabe a você aprender a amar.

Se seu tempo for escasso

E a vida dura,
Há de preparar o jardim
E esperar. Florescerá.

Viva com vigor,

Ame sem pudor.
Agite, livre:
É meu conselho de escritor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Floresta (Fuga)

Há um condomínio de árvores
Construído bem diante meus olhos.
Distraio o olhar dos arranha-céus verde-pinheiro
E me deparo com uma grande corrida
De bem-te-vis-caça
-Cada qual mais ligeiro.
Já sei o caminho deles:
Saem apavorados da floresta de pedras
Atrás da densa cidade plantada.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Só difícil

Meu coração sente às vezes que é difícil.
Acho que são minhas defesas,
Alguns linfócitos protegendo meus sentimentos.


Mas agonia-me resistir.
Agonia a distância,
Desassocia meus neurônios.


Já parei no pensamento
De uma ideia de ter-te
Abraçado em minha presença:
Corpo e alma.
Como seria?
Ah, comoção.


Fiz uma nota
E guardei sob minha pele:
Nota de saudade.
Sei que é inteiro meu
E não devo me preocupar.
Vejo em seus olhos todas as vezes,
Todas as vezes...


Mas sabe? Às vezes é só difícil.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Fábula (A vida)


Quero um dia contar uma história
Uma longa historinha
Que agrade a jovens e adultos
E que nada seja mentirinha.

Vou contar coisas da vida,
Dizer que é fábula, e será.
O que vivi e viverei
Na lembrança ficará.

Não só na minha, deveras,
Compartilho a vários alguéns.
Mas, quando tudo virar conto,
De minha palavra
Não duvidará ninguém.

Duendes, gnomos,
Elfos do além.
De minhas aventuras,
Não duvidará ninguém.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Comédia da desilusão

Desilusão de uma esperança
Que nunca existiu.
Ela via em uma porta
Falsa paisagem da verdade,
Só mais uma pintura realista.


Ela não sentia mais que um calafrio
E a vontade de perspassar aquela fronteira.
O medo a coagiu
A deletou,
A contraiu.
Um dia, ela foi com tudo:
Ah, que desiludida ficou!
Quando de cabeça se jogou
E ao solo quente se misturou
Ao ser rebatida por aquela tela dura
De algo que nunca existiu.


Ah, desiludida aquela garota!
De desespero, quebrou em cacos o que a feriu
E descobriu uma estrada feia.
Não tinha mais o que fazer,
Abandonara tudo o que era seu
E agora tinha que seguir.


Naquele tortuoso caminho
De nebuloso céu,
E árvores desfolhadas
Seguiu um bicho estranho
Que não vira jamais: morcego da tarde
Recolhendo-se ao escuro.
Chegando à longínqua caverna
Eis que cai e adormece.


Pobre desiludida, quer matar-se,
Acabar com seu sofrimento.
Entretanto em seu despertar
O céu abre
O mar visibiliza-se
E o raiar toma seu rosto novamente de rubor.
Alegria nasce com raizes profundas
No coração daquela que descreia
No que a era ofertado.


Desgastada, carcomida, resolve voltar a viver.
Com os pássaros e um novo amor,
Reaprende como à tristeza distorcer.



Tema por: Leonardo Cruz (http://acasoqualquer.blogspot.com.br/)

domingo, 14 de outubro de 2012

Nômade

Ando livre por aí,
Meu caminharé constante,
Minhas descobertas são frequentes.
Apenas uma nômade qualquer.

Sigo em frente, ciganeio
Uns e outros,
Balbucio
Notas graves e agudas
E pago de feiticeira.

Tantas coisas que aprendo
Nessa infinita viagem da vida,
Mas, em tantos lugares,
O que mais me marca
É a simples vitória
Dos sorrisos conquistados.