Andando entre um sonho e outro
Tropeço em algumas pedras.
Uma delas, você,
Me fez parar.
Desconfiei de antemão
Pausei - olhei para os lados - continuei.
Não sei denominar
O que me deixou aqui:
Parada, atordoada.
Queria sentir amor,
Queria uma mão para segurar,
Queria ser um romântico beija-flor,
Queria um bem-me-quer para amar.
Assim os delírios seguem,
Me perdendo entre as rochas.
Montanhas, às vezes, surgem
Mas ignoro a loucura de minha nostalgia.
Fiz uma canção.
Você, o nome dela.
Sonho mais longo que tive,
Falei, cantei você a trezentos mil decibéis.
Sonhei mais alto que pude,
Fiz a loucura que nunca pensei.
Achei que não era assim,
Desviei de cada montanha outrora.
Fiz que não sabia compôr,
Surpreendi com o poder dessas notas.
Quando a mente fala mais alto
E os sonhos não dão a razão,
É hora de apelar para o peito;
Nunca erra esse tal coração.
domingo, 31 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
LOUCOS E SANTOS
Li e amei, me identifiquei pakas *--*
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Árvore da Vida
Uma vida em meio aos escombros
És árvore, sensível,
Raio de luz que invade aos poucos,
Abrindo fronteiras para o invisível.
Uma cena singular.
Num feixe, luzes e troncos se envolvem;
Num canto, uma pequena garota explora sons e sinais
De um tempo que recém se iniciara, junto à aurora.
Pasmem aqueles que pensam
Que de nada vale a imagem para a menina:
A luz que cruza a árvore elabora um céu particular,
Uma imagem nítida da cena infantil:
Sois terra, calor e força;
És árvore, mas a minha imagem da vida.
Imagem que se distrai
Entre os assombros da noite,
Amor, que fica e vai
Ascendendo, atracando ao porto.
Aquela arte de antes,
Aurora da vida,
Ficará sempre em meu peito
Palpitando, rente às feridas.
És árvore, sensível,
Raio de luz que invade aos poucos,
Abrindo fronteiras para o invisível.
Uma cena singular.
Num feixe, luzes e troncos se envolvem;
Num canto, uma pequena garota explora sons e sinais
De um tempo que recém se iniciara, junto à aurora.
Pasmem aqueles que pensam
Que de nada vale a imagem para a menina:
A luz que cruza a árvore elabora um céu particular,
Uma imagem nítida da cena infantil:
Sois terra, calor e força;
És árvore, mas a minha imagem da vida.
Imagem que se distrai
Entre os assombros da noite,
Amor, que fica e vai
Ascendendo, atracando ao porto.
Aquela arte de antes,
Aurora da vida,
Ficará sempre em meu peito
Palpitando, rente às feridas.
Co-criado por Lucas Bonez e Natália Galvão
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Uma noite fria

A névoa baixa,
Luzes bruxuleantes.
Frio, muito frio.
A ponta do nariz congelada,
Uma leve música ressoa ao fundo,
A noite tapa todos
E o que resta de belo cai sobre nós.
Silêncio.
Cheiro da verdade,
Fecho os olhos e,
Por um segundo,
Sinto viver como nunca.
As sombras dos passeantes,
Dos parados
E dos estáticos
Austeram qualquer sensação negativa,
Qualquer frio.
Minhas cenas de terror,
Minhas cenas de suspense,
Meus sonhos, tortuosos,
Envoltos, apenas
Em uma noite fria
-Muito fria-
Em um lugar mágico
Em que me encontro, aqui.
Como é bom viver!
Luzes bruxuleantes.
Frio, muito frio.
A ponta do nariz congelada,
Uma leve música ressoa ao fundo,
A noite tapa todos
E o que resta de belo cai sobre nós.
Silêncio.
Cheiro da verdade,
Fecho os olhos e,
Por um segundo,
Sinto viver como nunca.
As sombras dos passeantes,
Dos parados
E dos estáticos
Austeram qualquer sensação negativa,
Qualquer frio.
Minhas cenas de terror,
Minhas cenas de suspense,
Meus sonhos, tortuosos,
Envoltos, apenas
Em uma noite fria
-Muito fria-
Em um lugar mágico
Em que me encontro, aqui.
Como é bom viver!
terça-feira, 19 de julho de 2011
Uma floresta em mim

Me integro à natureza.
Sons, cheiros, estímulos:
Música, perfume, dança.
Sou floresta
Dentro de mim.
Uma ininterrúpta jogada
Para entrar em sintonia.
Vejo animais, seres,
De muitos tipos;
Anseio por pegá-los
Por tê-los para mim.
Quer saber?
Já são todos meus.
Neste mundo,
Floresta de Groelomba,
Me refugio lá.
Entre intermináveis conversas
Com uma égua prenha,
Pauso para apreciar
Nas últimas neflas
De luz do dia,
Pequenos gnomos.
Lindos, recolhendo as pétalas das flores
Para devolvê-las ao raiar
Do novo dia.
Esse lugar me chama,
Me protege, acalenta.
Já está noite
Mas não há perigo,
Estou dentro de mim.
Não sinto frio
Nesse trópico,
Faço companhia aos morcegos.
Meus amores, chamá-los-ei
Algum dia
Para fazerem-me companhia.
Quiçá já estão aqui comigo,
Encantadores,
Trazem-me alegria.
Sóis e luas, invernos e verões.
Enfim sou prisioneira
De onde não quero
Nem preciso sair.
Às vezes
Esses meus dois amores
Vêm me visitar;
Acendemos fogueira,
Ficamos a cantar.
Ah, quantas histórias renderiam
Essa mágica floresta de mim.
Mas preciso ir já,
Os gafanhotos há muito
Estão a essas palavras observando...
Decepção
Sentimento que afoga
Pixel a pixel
O painel da felicidade.
Apaga sorrisos,
Destrói ilusões;
Saudades
De um mundo sincero,
Sem meros interesses,
Que a falsidade não corroía.
Como uma traiçoeira traça
Em frente a um belo vestido de seda,
Os sentimentos ruins
Acabam com o trabalho
Dos bichos-da-seda,
Destróem o castelinho da felicidade
Atentando direto aos alicerces.
Tiranos.
Decepção
Decepção
Decepção
A estas almas que se perdem
À rede de mentiras.
Perdão, perdão?
O tempo cura tudo,
Espero não seja doce ilusão.
Algum dia
Talvez
Entendamos o porquê.
Enquanto isso,
Cansei de ser trouxa.
Pixel a pixel
O painel da felicidade.
Apaga sorrisos,
Destrói ilusões;
Saudades
De um mundo sincero,
Sem meros interesses,
Que a falsidade não corroía.
Como uma traiçoeira traça
Em frente a um belo vestido de seda,
Os sentimentos ruins
Acabam com o trabalho
Dos bichos-da-seda,
Destróem o castelinho da felicidade
Atentando direto aos alicerces.
Tiranos.
Decepção
Decepção
Decepção
A estas almas que se perdem
À rede de mentiras.
Perdão, perdão?
O tempo cura tudo,
Espero não seja doce ilusão.
Algum dia
Talvez
Entendamos o porquê.
Enquanto isso,
Cansei de ser trouxa.
domingo, 17 de julho de 2011
Dois ventos tão distantes

Dois núcleos, prestes a fundir-se,
Siameses por conta dos novos tempos,
Que precisam unir-se para suprir
Suas existências inequívocas.
Desde o passado
Esses ventos tão-distantes
Demoraram para achar-se.
As brisas periféricas,
Ao tocarem-se, olharem-se, sentirem-se, perceberam
Que o frio
Sem o quente
É apenas um estado,
Mas juntando-os,
Temos algo muito mais aprazível.
Dizer com palavras é difícil,
Explicar um amor tão omisso,
Fazer mostrar o que todos vêem,
Mas os ventos, coitados, apenas mentem.
E o pior, para si mesmos; ai tempo!
Espectros-irmãos que se entrelaçam
Com apenas um olhar, um gesto, um toque,
Estão prestes a tornarem-se um só, insuperáveis;
Mas a gravidade da Terra dificulta o encontro
De dois ventos tão singulares.
O amor é imbatível.
Luta tempo, para viver
O que nunca imaginou ser possível.
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